Para iniciar os trabalhos no blog busquei um texto que apresenta um resumo das teorias em que me baseio no trabalho com as crianças. Antes do início da faculdade o que me levou a buscar a educação física foi justamente crer que o brincar e o jogar são os alimentos para a alma e as melhores maneiras de estimular o desenvolvimento humano e social. Acredito que as representações e as diversas relações que podem ser estabelecidas e problematizadas no brincar e no jogar podem ser ampliadas para inúmeras questões sociais, culturais, motoras, cognitivas e psicológicas, tornando o brincar e jogar na ferramenta pedagógica mais efetiva.
Portanto coloco abaixo um breve texto que explica alguns conceitos e argumentos que vão ao encontro do que penso.
De Andreia Mara Cortez, Sonia Cardoso Ike, Patricia Cristina de Campos Silmara, Sonia M. Pontes Miranda extraído do Blog Pedagogia da Virtualidade, no dia 10 de Julho.
É brincando que a criança aprende a brincar e a interagir …
Na educação infantil, o brincar não tem,
ainda, sua importância devidamente reconhecida, pois culturalmente a
sociedade a considera como uma ação desprovida de significados e que
somente na educação fundamental é onde de fato as crianças vão aprender e
desenvolver suas habilidades, separando o lúdico da aprendizagem
formal.
Os pesquisadores do brincar consideram
que este mobiliza múltiplas aprendizagens, sendo indispensável à saúde
física, emocional e intelectual da criança. Na brincadeira, a criança
cria outros mundos e se comporta além do habitual e cotidiano. A criança
vivencia-se no brinquedo como se ela fosse maior do que é na realidade.
(VYGOSTKY, 1987, p.117)
Maluf (2003, p.21) afirma que: “Quando
brincamos exercitamos nossas potencialidades, provocamos o funcionamento
do pensamento, adquirimos conhecimentos e estresse ou medo,
desenvolvemos a sociabilidade, cultivamos a sensibilidade, nos
desenvolvemos intelectualmente, socialmente emocionalmente.”
Segundo Kishimoto (1999), o
desenvolvimento da criança deve ser entendido como um processo global,
pois quando corre, pula, ela desenvolve sua motricidade e,
paralelamente, é um desenvolvimento social, pois brinca com parceiros,
obedece as regras, recebe informações e estabelece relações cognitivas,
tornando-se assim, um ser humano inteiro.
Constatou-se, nesses estudos, que as
brincadeiras são fonte do desenvolvimento cognitivo e, também, uma forma
de autoexpressão, pois as crianças descobrem suas sensibilidades,
habilidades, visualizam suas funções e responsabilidades, aprendem a
dividir tarefas com o outro, desenvolvendo, assim, colaboração.
Através das brincadeiras, as crianças se
apropriam do mundo a sua volta, construindo a sua própria realidade,
dando-lhe um significado.
Na teoria que embasa o brincar há muito conflito sobre o significado das palavras: brinquedo, brincadeira e jogo.
Maluf (2003) pondera que: “O brinquedo
não é apenas um objeto que a criança usa para se divertir e ocupar o seu
tempo, mas é um objeto capaz de ensinar e de torná-la feliz ao mesmo
tempo.”
O brinquedo é um importante artefato
cultural que gera aprendizagens. Ao se utilizar brinquedos de várias
formas e diferentes tamanhos, a criança tem a oportunidade de conhecer a
sua cultura e trabalhar semelhanças e diferenças, enfim, abstrair,
classificar e simbolizar.
Em relação à brincadeira, Vygotsky (1991, p.35) afirma que:
É uma atividade humana criadora, na qual a
imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas
possibilidades de interpretação, de expressão e de ações pelas crianças,
assim, como de novas formas de construir relações sociais com os outros
sujeitos, crianças e adultos.
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil
(1998, p.13) ressalta que: A brincadeira favorece a autoestima das
crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de
forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização de
determinados modelos de adultos, no âmbito de diversos grupos sociais.
Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço
singular de contribuição infantil.
Piaget classifica o jogo infantil em três categorias: De exercício: caracteriza se pela repetição de uma ação pelo prazer que ela proporciona e é uma das primeiras atividades lúdicas do bebê; Simbólico: envolve o faz-de-conta, a representação; De regras:
é o que exige que os participantes cumpram normas e passem a considerar
outros fatores que influenciam no resultado como, atenção,
concentração, raciocínio e sorte.
Em seus estudos sobre jogos, Vygostky
(1896- 1934) deu ênfase aos jogos de representação. Ele considera que:
“Não existe brincadeira sem regras, partindo do princípio de que os
pequenos se envolvem nas atividades de faz-de-conta para tentar entender
o mundo em que vivem, para isso usam a imaginação.”
Sendo assim, os estudos de Piaget e
Vygostky levam a refletir sobre o significado do jogo simbólico e do
brinquedo na infância. O lúdico propicia à criança o desenvolvimento das
estruturas cognitivas, a construção de personalidade, o intercâmbio do
cognitivo com o afetivo, o avanço nas relações interpessoais, nas
interações e no conhecimento lógico matemático, a representação do mundo
e o desenvolvimento da linguagem.
Referências bibliográficas
KISHIMOTO, Tizuko M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1999.
MALUF, Ângela Cristina M. Brincar, prazer e aprendizagem. São Paulo: Vozes, 2003.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
VYGOSTKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
KISHIMOTO, Tizuko M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1999.
MALUF, Ângela Cristina M. Brincar, prazer e aprendizagem. São Paulo: Vozes, 2003.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
VYGOSTKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Nenhum comentário:
Postar um comentário