quarta-feira, 9 de setembro de 2015


"Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!."

Trecho do filme O Grande Ditador (The Great Ditactor, 1940) de Charles Chaplin. O filme é uma crítica irônica ao momento histórico da Segunda Guerra Mundial, e aproveita para apresentar a opinião de Chaplin sobre as maneiras de controle e exploração da humanidade em nome da ganância de alguns líderes. O discurso utópico entrou para a história do cinema e continua atual. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas!





Para iniciar os trabalhos no blog busquei um texto que apresenta um resumo das teorias em que me baseio no trabalho com as crianças. Antes do início da faculdade o que me levou a buscar a educação física foi justamente crer que o brincar e o jogar são os alimentos para a alma e as melhores maneiras de estimular o desenvolvimento humano e social. Acredito que as representações e as diversas relações que podem ser estabelecidas e problematizadas no brincar e no jogar podem ser ampliadas para inúmeras questões sociais, culturais, motoras, cognitivas e psicológicas, tornando o brincar e jogar na ferramenta pedagógica mais efetiva.

Portanto coloco abaixo um breve texto que explica alguns conceitos e argumentos que vão ao encontro do que penso.
De Andreia Mara Cortez, Sonia Cardoso Ike, Patricia Cristina de Campos Silmara, Sonia M. Pontes Miranda extraído do Blog Pedagogia da Virtualidade, no dia 10 de Julho.

É brincando que a criança aprende a brincar e a interagir …
Na educação infantil, o brincar não tem, ainda, sua importância devidamente reconhecida, pois culturalmente a sociedade a considera como uma ação desprovida de significados e que somente na educação fundamental é onde de fato as crianças vão aprender e desenvolver suas habilidades, separando o lúdico da aprendizagem formal.
Os pesquisadores do brincar consideram que este mobiliza múltiplas aprendizagens, sendo indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. Na brincadeira, a criança cria outros mundos e se comporta além do habitual e cotidiano. A criança vivencia-se no brinquedo como se ela fosse maior do que é na realidade. (VYGOSTKY, 1987, p.117)
Maluf (2003, p.21) afirma que: “Quando brincamos exercitamos nossas potencialidades, provocamos o funcionamento do pensamento, adquirimos conhecimentos e estresse ou medo, desenvolvemos a sociabilidade, cultivamos a sensibilidade, nos desenvolvemos intelectualmente, socialmente emocionalmente.”
Segundo Kishimoto (1999), o desenvolvimento da criança deve ser entendido como um processo global, pois quando corre, pula, ela desenvolve sua motricidade e, paralelamente, é um desenvolvimento social, pois brinca com parceiros, obedece as regras, recebe informações e estabelece relações cognitivas, tornando-se assim, um ser humano inteiro.
Constatou-se, nesses estudos, que as brincadeiras são fonte do desenvolvimento cognitivo e, também, uma forma de autoexpressão, pois as crianças descobrem suas sensibilidades, habilidades, visualizam suas funções e responsabilidades, aprendem a dividir tarefas com o outro, desenvolvendo, assim,  colaboração.
Através das brincadeiras, as crianças se apropriam do mundo a sua volta, construindo a  sua própria realidade, dando-lhe   um significado.
Na teoria que embasa o brincar há muito conflito sobre o significado das palavras:  brinquedo, brincadeira e jogo.
Maluf (2003) pondera que: “O brinquedo não é apenas um objeto que a criança usa para se divertir e ocupar o seu tempo, mas é um objeto capaz de ensinar e de  torná-la feliz ao mesmo tempo.”
O brinquedo é um importante artefato cultural que gera aprendizagens. Ao se utilizar brinquedos de várias formas e diferentes tamanhos, a criança tem a oportunidade de conhecer a sua cultura e trabalhar semelhanças e diferenças, enfim, abstrair, classificar e simbolizar.
Em relação à brincadeira, Vygotsky (1991, p.35) afirma que:
É uma atividade humana criadora, na qual a imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ações pelas crianças, assim, como de novas formas de construir relações sociais com os outros sujeitos, crianças e adultos.
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, p.13) ressalta que: A brincadeira favorece a autoestima das crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adultos, no âmbito de diversos grupos sociais. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de contribuição infantil.
 Piaget classifica o jogo infantil em três categorias: De exercício: caracteriza se pela repetição de uma ação pelo prazer que ela proporciona e é uma das primeiras atividades lúdicas do bebê; Simbólico: envolve o faz-de-conta, a representação; De regras: é o que exige que os participantes cumpram normas e passem a considerar outros fatores que influenciam no resultado como, atenção, concentração, raciocínio e sorte.
Em seus estudos sobre jogos, Vygostky (1896- 1934) deu ênfase aos jogos de representação. Ele considera que: “Não existe brincadeira sem regras, partindo do princípio de que os pequenos se envolvem nas atividades de faz-de-conta para tentar entender o mundo em que vivem, para isso usam a imaginação.”
Sendo assim, os estudos de Piaget e Vygostky levam a refletir sobre o significado do jogo simbólico e do brinquedo na infância. O lúdico propicia à criança o desenvolvimento das estruturas cognitivas, a construção de personalidade, o intercâmbio do cognitivo com o afetivo, o avanço nas relações interpessoais, nas interações e no conhecimento lógico matemático, a representação do mundo e o desenvolvimento da linguagem.
Referências bibliográficas
KISHIMOTO, Tizuko M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1999.
MALUF, Ângela Cristina M. Brincar, prazer e aprendizagem. São Paulo: Vozes, 2003.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
VYGOSTKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.